(UFU) Sobre a ancestralidade e os caminhos evolutivos de jumentos

(UFU) Sobre a ancestralidade e os caminhos evolutivos de jumentos, cavalos e zebras, analise as asserções.

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CECI, M. Pesquisadores e produtores se mobilizam para evitar a extinção de jumentos. Pesquisa FAPESP. Edição 359, jan. 2026. 

I. No cruzamento entre uma égua e um jumento, a barreira pré-zigótica é quebrada, com a formação de um híbrido viável e fértil.
II. Jumentos, cavalos e zebras descendem de um ancestral comum e depois seguem caminhos evolutivos próprios.
III. A fertilidade reduzida do híbrido representa um mecanismo de isolamento reprodutivo pós-zigótico que impede que um zigoto híbrido se torne um adulto viável e fértil.
IV. A mula e o burro são híbridos férteis que conseguem produzir prole ao acasalarem com qualquer uma das espécies parentais, pois os genes têm fluxo livre entre as espécies. 

Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.

a) II e III
b) I e IV
c) III e IV
d) I e II

GABARITO ABAIXO:

Análises da questão:

A questão trabalha especiação e isolamento reprodutivo, usando o cruzamento entre cavalo e jumento para diferenciar o que acontece antes e depois da fecundação.

A afirmativa I é incorreta. No cruzamento entre uma égua e um jumento, ocorre a fecundação e forma-se um híbrido viável, a mula. Isso significa que uma barreira pré-zigótica foi superada. Porém, a afirmativa erra ao dizer que o híbrido é fértil. A mula é normalmente estéril, principalmente devido às diferenças cromossômicas entre as espécies parentais. Portanto, a quebra da barreira pré-zigótica não garante fertilidade do descendente.

A afirmativa II é correta. Cavalos, jumentos e zebras possuem ancestralidade comum, mas suas linhagens seguiram diferentes trajetórias evolutivas ao longo do tempo, acumulando diferenças genéticas e fenotípicas. Esse processo é denominado divergência evolutiva.

A afirmativa III é considerada correta, pois a esterilidade do híbrido é um exemplo de isolamento reprodutivo pós-zigótico. A fecundação acontece e o híbrido pode ser viável, mas sua capacidade reprodutiva é comprometida. Aqui, é importante perceber uma imprecisão na redação: o isolamento por esterilidade híbrida não impede necessariamente que o zigoto se torne um adulto viável; ele impede que esse adulto produza descendentes férteis. Mesmo assim, é claramente essa ideia que a banca pretende avaliar.

A afirmativa IV é incorreta. Mulas e burros são, em regra, estéreis, portanto não conseguem produzir prole normalmente. Consequentemente, não existe fluxo gênico livre entre cavalos e jumentos.

Assim, as únicas afirmações corretas são II e III.

✅ Gabarito: A) II e III


O que a UFU quer que você saiba sobre Isolamento reprodutivo e formação de espécies?

A reprodução é um dos principais fatores que mantém a identidade genética de uma espécie. Quando populações deixam de trocar genes de maneira eficiente, podem acumular diferenças ao longo das gerações e seguir caminhos evolutivos independentes. Esse processo está diretamente relacionado à especiação.

O isolamento reprodutivo pode ocorrer antes ou depois da fecundação. As barreiras pré-zigóticas impedem o encontro dos gametas ou a formação do zigoto, enquanto as pós-zigóticas atuam depois da fecundação. Entre estas últimas está a esterilidade híbrida, quando o descendente consegue se desenvolver, mas não produz gametas funcionais.

O cruzamento entre cavalo e jumento é um excelente exemplo. Embora essas espécies consigam gerar híbridos, como a mula, o descendente normalmente apresenta esterilidade. Isso está relacionado, entre outros fatores, à diferença no número de cromossomos dos parentais, dificultando o pareamento cromossômico durante a meiose.

Esse exemplo demonstra uma ideia fundamental para a evolução: a capacidade de gerar um híbrido não significa ausência de isolamento reprodutivo. Se o híbrido não consegue transmitir seus genes, o fluxo gênico permanece limitado entre as populações.

Resumo final: Cavalos, jumentos e zebras compartilham ancestralidade, mas seguiram trajetórias evolutivas distintas. A esterilidade dos híbridos constitui uma barreira pós-zigótica que ajuda a manter o isolamento entre as espécies.


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