(UFU 2026/2) Sobre a ancestralidade e os caminhos evolutivos de jumentos.

(UFU 2026/2) Sobre a ancestralidade e os caminhos evolutivos de jumentos, cavalos e zebras, analise as asserções.

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I. No cruzamento entre uma égua e um jumento, a barreira pré-zigótica é quebrada, com a formação de um híbrido viável e fértil.
II. Jumentos, cavalos e zebras descendem de um ancestral comum e depois seguem caminhos evolutivos próprios.
III. A fertilidade reduzida do híbrido representa um mecanismo de isolamento reprodutivo pós-zigótico que impede que um zigoto híbrido se torne um adulto viável e fértil.
IV. A mula e o burro são híbridos férteis que conseguem produzir prole ao acasalarem com qualquer uma das espécies parentais, pois os genes têm fluxo livre entre as espécies. 

Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
a) II e III
b) I e IV
c) III e IV
d) I e II

GABARITO ABAIXO:

Análises da questão:

A questão aborda conceitos fundamentais de evolução, especiação e isolamento reprodutivo, utilizando como exemplo cavalos, jumentos e zebras, espécies pertencentes ao gênero Equus. Para identificar a alternativa correta, é necessário compreender os mecanismos que mantêm espécies distintas, mesmo quando ainda são capazes de produzir híbridos.

A afirmativa I está incorreta. O cruzamento entre uma égua (Equus caballus) e um jumento (Equus asinus) realmente supera uma barreira pré-zigótica, formando um híbrido viável (mula ou burro). Entretanto, esses híbridos são estéreis na grande maioria dos casos, e não férteis. A esterilidade decorre das diferenças no número e na organização dos cromossomos das espécies parentais, que dificultam o pareamento durante a meiose.

A afirmativa II está correta. Cavalos, jumentos e zebras descendem de um ancestral comum, característica que evidencia um processo de evolução divergente. Ao longo do tempo, populações ancestrais acumularam diferenças genéticas e adaptativas, originando espécies distintas.

A afirmativa III também está correta. A esterilidade dos híbridos representa um isolamento reprodutivo pós-zigótico, pois ocorre após a fecundação e impede que o híbrido produza descendentes férteis. Embora o texto mencione “impede que um zigoto híbrido se torne um adulto viável e fértil”, a ideia central refere-se ao isolamento pós-zigótico pela infertilidade, mecanismo clássico observado em mulas.

A afirmativa IV está incorreta. Mulas e burros não apresentam fluxo gênico livre entre as espécies justamente porque são, em regra, estéreis.

Assim, apenas as afirmativas II e III estão corretas.

Gabarito: letra A.


O que a UFU quer que você saiba sobre Especiação e isolamento reprodutivo?

A formação de novas espécies ocorre por meio do processo de especiação, no qual populações ancestrais acumulam diferenças genéticas suficientes para impedir o fluxo gênico entre elas. Um dos principais mecanismos responsáveis por manter essa separação é o isolamento reprodutivo, dividido em barreiras pré-zigóticas e pós-zigóticas.

As barreiras pré-zigóticas impedem que a fecundação ocorra, podendo envolver diferenças comportamentais, ecológicas, temporais ou anatômicas entre as espécies. Já as barreiras pós-zigóticas atuam após a fecundação, permitindo a formação do híbrido, mas comprometendo sua viabilidade ou fertilidade.

O cruzamento entre cavalos e jumentos ilustra esse fenômeno. Embora seja possível formar híbridos, como mulas e burros, esses animais normalmente são estéreis devido à incompatibilidade cromossômica. Cavalos possuem 64 cromossomos, jumentos 62 e seus híbridos apresentam 63 cromossomos, dificultando o pareamento cromossômico durante a meiose e impedindo a produção normal de gametas.

Esse exemplo demonstra que espécies diferentes podem compartilhar um ancestral comum e ainda produzir híbridos, mas continuam biologicamente isoladas quando esses descendentes não conseguem perpetuar seus genes.

Resumo final: O isolamento reprodutivo pós-zigótico, representado pela esterilidade dos híbridos, impede o fluxo gênico entre espécies e constitui um dos principais mecanismos responsáveis pela manutenção da especiação.


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