Continuando a nossa série de férias, conto pra vocês como foi o terceiro dia no continente Africano.

Dia 03

A história do almoço virou uma confusão, ninguém sabia onde era o tal Ocean que os amigos do Beto haviam indicado. Nem o taxista. Enfim que não achamos o local e fomos ao Mercado do Peixe mesmo, que era a primeira ideia.

Ao estacionar o táxi tivemos um problema: o taxista estacionou em local proibido. Foi tempo da gente descer e um policial já veio abordá-lo. O triste é que haviam vários carros estacionados por ali e o local não era bem sinalizado. Ficou claro que o oficial não estava muito bem intencionado. O motorista tentou argumentar, mas não teve como. Por fim que os dois acertaram um “valor entre camaradas” para que a multa não fosse aplicada.

A conversa entre eles foi em changana e, só depois de tudo resolvido, ao falar com o taxista, é que entendemos o que havia acontecido. Decidimos por arcar com o valor.

É triste falar sobre essas coisas, mas elas acontecem em todos os lugares. Eu mesmo já passei mais de uma vez por ocorrências similares. Se a gente está no nosso país é mais simples. Mas lá, não sei se adiantaria fazer qualquer tipo de denúncia. E, mesmo que o policial tenha sido um aproveitador, de fato, não era permitido parar naquele local.

...

Fugindo do assunto. Como ficamos bastante tempo rodando neste táxi, pudemos conversar um pouco mais com o motorista. Nos chamou a atenção de que todos os carros por lá possuem airbag, ar condicionado e câmbio automático. Ele nos explicou que a esmagadora maioria dos carros que circulam em Moçambique vêm do Japão. Um carro popular completo como esse e pouco rodado pode ser adquirido por até U$ 1200. O que para nós é muito barato e, para eles, uma fortuna. Vamos lembrar que o salário mínimo moçambicano está na casa dos 5000 MZN (R$ 250) em média (pois varia por setor de atividade).

O Mercado do Peixe foi um ponto altíssimo na viagem. O lugar pode ser dividido em dois ambientes: o pavilhão onde ficam os vendedores com seus peixes e frutos do mar frescos expostos e uma praça de alimentação com inúmeras casinhas. Cada uma delas é um restaurante.

Funciona mais ou menos assim: Você vai ao mercado e compra o que quiser. Peixes, lula, polvo, camarão, mexilhão, lagosta, ostra, siri, caranguejo… realmente tem muita coisa lá. Você pode simplesmente levar pra casa ou, caso queira comer por lá mesmo, leva a uma das casinhas da praça de alimentação e escolhe como quer que preparem a sua refeição. O valor é cobrado por quilograma de alimento preparado, não importa o que for.

Nós pedimos uns peixes pequenos, do tamanho de lambaris, fritos. Camarões e lagostas grelhadas. Três peixes assados, lulas também. Acompanhamento de batatas fritas, arroz e salada verde. A Angélica chegou entrar na cozinha da Dona Pérola e ajudou com o preparo de uma das refeições.

Não curto ficar falando de preços, mas neste caso é necessário. Tudo isso que comemos e bebemos saiu por volta de 700 MZN (R$ 35,00) por pessoa. Eu por exemplo, nunca havia comido lagosta... aqui nas praias do sul você encontra nos restaurantes, mas são pequenas e caríssimas. A que compramos tinha 1kg e custou 40 reais!! Outra coisa: é impressionante o quanto tudo é limpo e sem aquele cheiro característico de peixaria.
lobster maputo fish market

Lagostas com 1kg no Mercado do Peixe em Maputo, Moçambique.

shrimp fish market maputo

Camarões no Mercado do Peixe em Maputo

Banca no Mercado do Peixe em Maputo, Moçambique.

Praça de alimentação no Mercado do Peixe.

Banquete de frutos do mar. Mercado do peixe.

Angélica e Dona Pérola.

De barriga estourando nossa próxima parada foi o Museu de História Natural.

Ele nada mais é do que um local cheio de animais taxidermizados e, embora não seja a coisa mais legal do mundo ficar vendo um monte de bicho morto, gostamos. Principalmente porque os animais ali não foram caçados para fazer parte do museu, e sim apreendidos de caçadores. Foi um bom passeio,  mas em opinião própria, acho que faltou mais placas explicativas no museu.

Vários daqueles animais a gente não conseguiu ver durante o safari e foi legal conhecer. Outra coisa bacana é uma exposição com fetos de elefantes. A única do mundo. Todos eles foram tirados do útero de elefantas caçadas ilegalmente e apreendidas.

Mesmo sendo interessante e sabendo da origem dos animais, dá um mal-estar pensar em tanto bicho morto. A exuberância da fauna africana está realmente ameaçada e, apesar de todos os atuais esforços para controlar, a caça ainda está dizimando a biodiversidade animal na África.

Entrada do Museu de História Natural de Maputo

Natural history museum hippopotamus skeleton

Esqueleto de Hipopótamo no Museu de História Natural.

Placa informativa do museu

Felinos.

Javali africano. O Pumba.

Acho que é um cervo.

Cervos.

Toda a galera.

Elefantes.

Feto de elefante com 10 meses.

O pangolim, uma espécie de tatu africano.

Diferentes espécies de lagostas.

O celacanto é um animal bastante interessante. O primeiro exemplar vivo foi descoberto em meados do século XX. Até então acreditava-se que o animal for extinto por volta de 65 milhões de anos atrás. Ou seja, o bicho é um fóssil vivo!

Dali fomos a um local chamado The Fishmonger, onde fizemos um lanche e tomamos uma caipirinha com cachaça da África do Sul.

Por sugestão do Féling, nosso dia terminou no Núcleo de Arte. O local tinha uma exposição com quadros e esculturas e mais uma banda sensacional que infelizmente não recordamos o nome. Eles tocavam algo como um reggae moçambicano. Jantamos por lá mesmo e retornamos ao Taka-Taka exaustos.

Este foi o nosso itinerário do dia.

Do Taka-Taka ao Mercado do Peixe, Museu de História Natural, The Fishmonger e Núcleo de Arte.

Dia 04

A missão neste dia era fechar um pacote para o safari no Kruger National Park, na África do Sul. Precisávamos ligar para empresas e fazer orçamentos. Compramos um chip da Vodacom (por 1 real!) e colocamos crédito (R$ 3,00). Ao todo, 70 MZN.

Se alguém que está lendo esse blog um dia for a Moçambique, uma boa dica é comprar um chip de celular. Escolhemos a Vodacom pois nos pareceu a mais popular no país... A internet wi-fi não é algo comum nos estabelecimentos comerciais, mas a rede de dados funciona bem e não é cara.

Ligamos para três ou quatro lugares, fizemos orçamentos e ficamos de passar durante a tarde em um local indicado por uma moça que trabalhava ali perto do hotel, que conhecemos por outra indicação.

Ainda na manhã fomos a Imprensa Nacional, local onde a meninas compraram um exemplar da constituição moçambicana. Em seguida, almoçamos em um agradável lugar chamado Café Continental.

Como era perto, dali fomos à famosíssima Estação de Trem de Maputo, que foi inaugurada em 1910 e está entre as 10 mais belas estações ferroviárias do mundo! … Mas não foi obra de Gustave Eiffel como nos contaram. A Casa de Ferro, sim, fora projetada por ele.

A estação de trem ou de caminho de ferro, como é propriamente chamada, é um lugar ainda muito importante no país. Ela liga a capital a praticamente todas as maiores cidades do sul do e é o principal meio de transporte para quem trabalha no interior. Nós gostaríamos muito de ter feito uma viagem de trem simplesmente para conhecer, mas nosso cronograma acabou ficando apertado.

Estação de Caminho de Ferro de Maputo. Ferroviária.

Vista lateral

Chegada do trem

Pegamos um táxi para o hotel e de lá fomos procurar o local para fazer mais um orçamento do safari. O restante fica para a próxima postagem.