Há um ano e meio atrás fiz um curso sobre Epidemias, pandemias e surtos pelo Coursera. Em uma das avaliações eles propuseram duas possibilidades: a elaboração de um artigo de divulgação ou jogar e relatar as estratégias adotadas no jogo Plague Inc.

É claro que eu fiquei com a opção 2, ou melhor, tentei ficar. Na época eu não tinha um smartphone e o jogo para a plataforma PC era pago. Aí fiz o artigo mesmo. O que também foi bem interessante.

Mas, no final do ano passado, depois de muito relutar, comprei um celular novo e há um mês atrás tive um insight que me fez lembrar do jogo. Baixei pela PlayStore e resolvi ver qualé.

O Plague Inc. é basicamente um jogo de estratégia em que o objetivo é destruir a humanidade através de um microorganismo infeccioso. Você tem um mapa mundi como tela principal e escolhe um país para iniciar a contaminação. Os parasitas vão contaminando mais e mais pessoas, passando para outros países e matando a galera. Quando os 7 bilhões de pessoas no mundo estiverem mortas, você venceu.

mundo infectado

A ideia é bastante simples, mas o jogo é muito interessante e razoavelmente complexo. Pra começar, existem diferentes tipos de parasitas (bactérias, vírus, fungos, príons, bioarmas…) e, para cada um deles, você precisa de um tipo de estratégia diferente.

A medida que você contamina e mata mais pessoas você vai ganhando pontos de DNA e com esses pontos você pode “evoluir” o seu parasita, tornando-o mais resistente a medicamentos ou mais facilmente transmissível por animais, por exemplo.

O legal mesmo é que de maneira bastante astuta você precisa criar boas estratégias. Doenças muito letais fazem a comunidade científica se empenhar muito mais na cura e faz as pessoas tomarem cuidados maiores com relação a contaminação. Remédios novos atrasam o seu desenvolvimento e pessoas trancadas em casa, lavando a mão compulsivamente, longe de contato com ar livre e animais fazem as taxas de proliferação da praga diminuírem.

No nível fácil, as pessoas não tem bons hábitos de higiene e os cientistas trabalham somente uma vez por semana. Chegar ao apocalipse é moleza. Mas nos estágios médio e difícil os cientistas são super empenhados, os investimentos dos países ricos são gigantescos, a galera se cuida bastante para não se contaminar e a chance de você fazer do mundo um inferno diminui.

Você acaba aprendendo bastante coisa sobre epidemiologia e biologia. Por exemplo, ao jogar com bactérias o seu sucesso pode ser maior em países pobres, com pouco saneamento. Ao jogar com fungos você deve investir em uma evolução atrelada à umidade. Países chuvosos e quentes rapidamente sucumbem. Vírus sofrem mutações em uma velocidade indesejada, fazendo vítimas de maneira rápida e deixando os países ricos em alerta total.

tipos de pragas

Mas, de um modo geral, você precisa contaminar o máximo de gente possível usando vetores como ar, água, mosquitos e ratos. A contaminação é potencialmente aumentada por aviões e navios que transitam de um país para outro. Depois disso, começar evoluir sintomas respiratórios (bom para dizimar países frios) e de secreções (excelente em países quentes, úmidos e mais pobres).

As estratégias são inúmeras. Tenta aí, você vai curtir. Ah, já ia esquecendo, se a cura para a sua doença for descoberta, você perde o jogo.