Em 29 de fevereiro de 1832, Charles Darwin chega à atual cidade de Salvador na Bahia. Seu primeiro contato com a Mata a Atlântica lhe provocam admiração e euforia que podem ser interpretadas pelo trecho abaixo, retirado do seu livro Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo.

Delícia, no entanto, é termo insuficiente para dar conta das emoções sentidas por um naturalista que, pela primeira vez, se viu a sós com a natureza no seio de uma floresta brasileira. A elegância da relva, a novidade das plantas parasitas, a beleza das flores, o verde vivo das ramagens e, acima de tudo, a exuberância da vegetação em geral me encheram de admiração. A mais paradoxal mistura entre som e silêncio reina à sombra das árvores. Tão intenso é o zumbido dos insetos que pode perfeitamente ser ouvido de um navio ancorado a centenas de metros da praia. Apesar disso, no recesso íntimo das matas parece reinar um silêncio universal. Para uma pessoa apaixonada pela história natural, um dia como este traz consigo uma sensação de prazer tão profunda que se tem a impressão de que jamais se poderá sentir algo assim outra vez.

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Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo

Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo